O Brasil está envelhecendo mais rápido do que qualquer projeção otimista imaginava. Em 2010, havia cerca de 20 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no país. Em 2025, esse número ultrapassou 35 milhões. Em 2050, a projeção é de 70 milhões — mais do que a população atual da França.

Essa transição demográfica é, em si mesma, uma conquista: resultado de melhorias no saneamento, na medicina e nas condições de vida. Mas ela traz desafios imensos para os quais o país ainda não está preparado.

A Sobrecarga das Famílias

No Brasil, o cuidado de idosos recai predominantemente sobre as famílias — e, dentro das famílias, sobre as mulheres. Filhas, noras, esposas: são elas que, na maioria dos casos, assumem a responsabilidade de cuidar dos mais velhos, frequentemente sem suporte institucional e sem reconhecimento econômico.

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz mostrou que 72% dos cuidadores informais de idosos no Brasil são mulheres, com média de idade de 52 anos. Muitas delas reduziram ou abandonaram o trabalho remunerado para cuidar de um familiar.

O Que Existe e o Que Falta

O Brasil tem uma rede de centros de convivência para idosos, Centros-Dia e Instituições de Longa Permanência (ILPIs). Mas a cobertura é insuficiente e a qualidade é desigual. Muitas ILPIs operam em condições precárias, com pessoal insuficiente e sem supervisão adequada.

O que falta é uma política integrada de cuidados de longa duração — algo que países como Alemanha, Japão e os países nórdicos desenvolveram ao longo de décadas e que o Brasil ainda precisa construir.